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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

HOMOFOBIA INTERNA. PRECONCEITO PARA ENVERGONHAR

Homofobia interna começa cedo. É o aprendizado da covardia, da delação, de usar o outro como degrau.

Você é gay másculo. Então é superior. Você é lésbica feminina. Então é superior. Tais leis te chegam por amigos, subliminares, igual água em barro.Vão impregnando. 

Já fui um destes homofóbicos internos. Acreditei e pratiquei essa filosofia de merda, daí posso falar: você acredita. É bom acreditar. Afinal, as leis te favorecem. Te colocam em um patamar do homossexual correto. O que obedece às regras do conviver hétero. Não dê pinta, não vire a mão, não fale fino. Não seja masculinizada, não corte o cabelo joãozinho, use maquiagem.

A gente crê que transexualidade é a homossexualidade exagerada ao máximo. Que para ser gay não precisa siliconar peitos e bunda. Que o correto é manter a linha como a linha sempre foi.

Não se tem a mínima noção da complexidade. Se tem que não pode ser assim, recuse.

A gente recrimina e faz piada com desmunhecados e travestis. Evita se aproximar deles. Sujam a barra, queimam o filme.

A gente segue as ordens. A gente é benquisto na galera, no meio, a gente é o ideal. Há tesão pela gente. Há deslumbre.

Os veadinhos se doem com tal conceito. As caminhoneiras também. Mas, lá dentro, onde dá o comichão, eles concordam, eles nos admiram, eles nos desejam. É o padrão hétero imponente, sacralizado, que nem o Cristo Redentor. Dizendo que homem tem que ter comportamento de homem, mulher, de mulher. Ponto final.

É um contágio mais eficiente que o da varíola. 

A gente estranha que uma menina como a mineira Tereza Brant possa se sentir menino, possa se atrair por meninas e meninos. Escuta o termo transhomem bissexual e considera aberração. Baixa a cabeça para as mofadas definições. Como assim pode ser? Acha que é afronta, que é doidice. Rejeita pensar que é mais um em um mundo diverso.

A gente esquece que sofreu preconceito. PRE CONCEITO. Julgar sem saber. Sem estar lá na alma do outro, sentindo o que ele sente, em um corpo que lhe parece não seu.

O mundo manda condenar. Condenamos e, assim, saímos bem na fita, afagamos nosso ego heterossexualizado, damos satisfação à galera que só quer jogar na fogueira, transferimos, canalhamente, o ódio. Absorvemos, medrosamente, o retilíneo. 

A gente usa a inflexível régua para tudo. Não à toa, o passivo é menosprezado. O ativo, elevado. Aquele velho conceito machista de que a mulher é inferior, o homem, superior, cabe bem aqui.

O raciocínio, o desejo, é em cima de padrões. Do que foi marretado.

Não se para e pensa. O que o/a levou a ser assim? Por que estou me achando superior? Se reproduz.

Afinal, se pode usar a premissa de que sendo o mais próximo do hétero se é o dentro das expectativas, o que obedece, que é menina/o comportado/a, legal, apresentável em festas sem fazer vergonha. Conveniências comandam.

domingo, 18 de agosto de 2013

DANIELA MERCURY E A PROMOÇÃO DE EXEMPLO


Quando Daniela Mercury fala sobre seu casamento com Malu Verçosa tem quem a acuse de se promover às custas da homossexualidade, a chamam de oportunista. Balela. Homossexualidade é tabu dos grandes, sofre preconceito dos maiores, vítima de um ódio sempre alerta. Assumir-se é decisão das mais complicadas. Requer não só coragem, mas capacidade de luta diária.

Luta contra os olhares enviesados, os comentários por trás, as gracinhas do senso comum, a ideia pré-fixada do homossexual como um maníaco sexual, incontrolável, pronto a dar o bote, de quem é preciso se defender, estar atento quando próximo.

Assumir-se é bater de frente contra uma estrutura montada onde se é o fora da lei, o desencaixado, o estranho. Julgado todo o tempo, sentenciado como o errado, o que precisa se ajeitar. O que é incriminado e, de tanto ouvir, aceita, dá como verdade, se recrimina.

O que é ojerizado na rua e dentro de casa. O que se esconde para sobreviver. O que mesmo saído do tal armário, mesmo com relativa aceitação dos em volta, convive com um torpedo aqui e ali, lembrando quem são os "certos", os "normais", e quem são os "desvirtuados", os "consentidos por bondade" (para mostrar que se é moderno), mas que devem se manter controlados, não violentar tanto o que é "realmente correto".

O que percebe ainda que gay aprovado é gay que não choca, que tem limites, que se contenta com um amor no demonstrado, se possível sufocado, menor.

O que sente o ódio, filho do medo, dos outros por ele. Medo imaginário de que as coisas deixem radicalmente de ser como são. Que o mundo se torne gay por completo. Daí ele é o que precisa ser combatido, mantido no escuro, invisível, sem ameaçar.  

O que vê em modelos como Daniela um alívio, uma luz diferente e fora do holofote que sinaliza a heterossexualidade como o padrão único. Séculos e séculos onde o par perfeito é João e Maria. Só a eles é dado o final feliz. Só a eles o direito de beijar e andar de mãos dadas na rua. Só a eles os votos de tudo de bom pela união.

Daniela é um estímulo ao garoto que agora teme contar seus desejos, que se apavora que pai e mãe descubra os lugares que frequenta, os corpos que abraça. É uma força para a menina que já tem um amor e a esconde, disfarça carícias, suprime afetos, enquanto vê a irmã aos beijos com o namorado.

Daniela mostra que é possível, que um dia este garoto e esta garota, que agora, lá no quarto somente sonham com uma vida plena, podem ser capazes, que o mundo tem muito a avançar, mas deu passos adiante, que tem complicações, que tem enormes vantagens, o dela hoje pode ser deles em breve.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MAIS MODÉSTIA, AMIGO CARETA


Parece um dogma religioso. Se é homossexual, transexual ou travesti, é tarado. Talvez religioso mesmo. Vem da condenação da santa madre igreja a ideia de que são demônios, incubus e sucubus, que pensam só em sexo, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Estejam onde estiverem e com quem estiverem.

Pensa-se que eles querem desvirtuar os héteros. Que se é hétero é irresistível. Coberto de açúcar. Que dá um calor, um tesão absoluto, incontrolável. A crença: se é hétero é bom.

Daí, escutamos tantas histórias de medo e precaução. “Não levo meu filho ao shopping Boa Vista. Vão devorá-lo por completo”, “Tás cortando o cabelo em fulano? Cuidado para ele não deixar o pente escorregar e pegar lá”, “O que vão pensar de mim?”. Tudo menos se ligar a essa raça desonrosa que traiu o ideal de macho e fêmea. Dar satisfação de que não faz parte do clube é fundamental.

Gays seriam como vampiros, pensam. Ferozes e incontroláveis. Mantenha o alho e o crucifixo em mãos, recomendam. Caso contrário...

Se for a uma boate LGBT será currado. Tem que ficar com a bunda grudada na parede. Se dormir com uma lésbica no quarto ao lado, claro, ela irá forçar a porta. Melhor se hospedar em outro andar. Se tiver um amigo gay, um dia, ele irá embebedá-lo e cantá-lo. Afastar-se é a solução. Se a colega de trabalho é lésbica, com certeza, ela vai falar supermal do seu marido para convencê-la a trocá-lo por ela. Evite maior aproximação.

Caberia aos héteros mais modéstia. Já vi dos mais sem graça querendo ser o máximo. Dos mais desprovidos de atrativos com aquela pose de gostosão das tapiocas. Calma. Menos.

Menos preconceito em repetir sensações de insegurança, de mostrar tanto medo desses seres considerados desregulados e insaciáveis. Menos se achar.

Talvez falte espelho, falte Simancol. Talvez carentes de paqueras, de cantadas tradicionais, precisem dizer certas frases, se sentirem ainda com tudo em cima.

Alguma olhada indiscreta que levou no passado distante, que acabou marcando, conduz e amplifica o temor por toda a vida. E ainda os conselhos de cuidado reforçado martelados por papai e titia. Deixam hematomas nos julgamentos. Sequelam.

Acha-se que querem dominar o mundo, avançar em qualquer um e transformar a raça humana, por completo, em homos, com uma bomba H de purpurina, quem sabe. Que vão cooptar o filho, o sobrinho, o marido, a esposa, a colega, você.

Até mesmo nas atitudes de alguns gays, o bater insistente da crendice influencia. Há os que fazem, os que desrespeitam, os que até morrem por entrarem em barcas furadas. Criou-se a aura de que conquistar um hétero é nota mais que azul no boletim. Orgulho de vida. “Que não existe careta. Existe mal trabalhado.”

Balelas, balelas, balelas. De todos os lados.

Gays até olham para héteros como héteros olham para o sexo oposto. Acham bonito, interessante. Investir, invadir, são outros 500. Se o fazem, merecem um fora, uma quiexa na polícia, tal qual uma cantada barata, um rapaz que puxa o cabelo de uma garota para um beijo forçado.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

FÉLIX JOGADO E TIRADO À FORÇA NO ARMÁRIO


E, de repente, a revelação se mostra inesperada e assustadora: Félix é gay. A família atônita. O pai sem chão. Como se não soubessem, como se o cara não já aparentasse sinais, como de muito tempo, muito mesmo, não o tivessem levado para uma carapaça e o trancafiado nela.

O capítulo de Amor à Vida que promete a tamanha surpresa está programado para 1º de agosto. A esposa vai armar a queda da máscara. Mas não é somente Félix o mascarado na história. Eles sabiam. Tanto sabiam, que o encarceraram em uma vida que não era a dele.

Félix não se prendeu lá sozinho. Foi o pai que tramou o seu casamento, contratou mulher, para salvá-lo de ser homo e salvar a própria honra de macho que não gera veado.

O pai sabia. Sempre soube, sempre ocultou para si mesmo que sabia. Engoliu o próprio conhecimento médico em prol da homofobia.

Decidiu sufocar no filho o que  não poder ser sufocado. Era melhor mantê-lo no armário, infeliz, irreal, que ter seu nome envolvido em algo que considera tão vil.

Félix, nesse ponto uma vítima,  com todo um entorno gritando ser sua condição a de um desvirtuado, intimidado, embarcou na clausura. Mas a cada passo, a cada dia, o impulso secreto dava sinais de  vida, de que não era reles virose que se cura com peitos e vagina.

Tanto que tem pastor que se diz salvo e alega temer homem por perto pela tentação da carne. E ex-ex-gay vindos de um sofrido período de negação inútil.

O que Félix é, o que estava no escuro, preso em correntes, veio à superfície. Como sempre vem, de uma forma ou de outra, em uma cantada, em um olhar, em salas de bate-papo, em pegações de banheiro público, em qualquer lugar que se considere promíscuo. Quem é proibido de se expressar na luz  precisa de caverna.

Ninguém se livra de essência. Félix não se livrou da sua. Ele é pintoso demais. É  personagem que destoa de boa parte dos enrustidos, os que se patrulham para evitar vestígios,  mas nem por isso irreal.

Existem  Félix. Já conheci. Muitos já conheceram. Os que não enganam. Os famosos tem pai que é cego.

Na verdade, não há  cegueira no pai. Ele viu e interviu. Não fosse a intromissão paterna, Félix, quem sabe, seria bem mais bandeiroso, totalmente distante do imposto modelo hétero-correto-do-homem-se-portar. Interviu. Entretanto, não resolveu  como queria. Abafou. Piorou. Criou um ser artificial em tudo, até para ele mesmo.

A prepotência de Félix o faz pensar que ninguém desconfia dele, que pode dar pinta o quanto quiser que está acima dos julgamentos. Natural. Quem vive em um mundo de fugas, de gato e rato, tanto pode pender para a paranoia quanto decair para ilusões de poder.
Ele se acha. Precisa se achar para melhorar a angústia interna de ser extremamente quem não é.

Passar pela fase enrustida é comum, até eterna, entre LGBTs. É sofrer na autovigília, no “não posso isso”, “tenho que maneirar nos termos gays”, “aumentar o palavreado e gestos hétero”.

A sociedade ensina, pressiona e cobra. Qualquer deslize vem acompanhado de olhares e insinuações. As lições: “ser gay é o errado, ser hétero é o certo. Se for gay que o seja heterossexualizado, resumido, oculto, que não fale, pois o gay nos constrange”. Aí se obedece. Para não ferir os corretos e sensíveis olhos da maioria, para ser mais bem aceito.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

SEM PENA DO GAROTO PORNÔ


“Eles nem fazem contato visual comigo, já chegam olhando abaixo da minha cintura”. De Harry Louis, um ex-astro do pornô gay. Hoje, mais conhecido como o namorado de Marc Jacobs.

É. O mundo gay, que tanto reclama de discriminação, de estereótipos, também marca a ferro e fogo.


Lembro que em 2010, fiz um um caderno especial sobre garotos de programa. Prostituição masculina, que, bem mais que a feminina, é obscura, carregada. Agrega venda de corpo e homossexualidade.


É o rapaz que sai de casa, escondido, para ficar na calçada, em uma sauna, em um cinema barato. É o que talvez nem seja gay, que depois um tempo nem saiba mais que orientação tem, nem se importe. O que insista ser hétero e ninguém acredite ou acredite por tesão, fetiche. Mas é o que está lá por o mundo, pelo bem ou pelo mal, o ter posto lá.


É o que desperta impulso sexual nos clientes, que travam o olhar e enviam sangue para o genital quando ele passa. Jovem, taludo e no ponto. O que se tranca em um cabine cheirando a desinfetante de eucalipto, com só um colchão e metros quadrados que mal cabem duas pessoas. 


O que vai para um banheiro nada apropriado, ou tão fantasticamente excitante, de um cine pornô. O que marca encontro em motel sem nem saber a cara do outro lado do telefone.


O que ganha mal demais. Ou bem demais. O que nem liga, dá de ombros. O que acha tudo uma merda. O que resolve, satisfaz. O que ouve satisfação em sussurros e gemidos. O que recebe, embolsa e segue para o próximo.


Mas o que é relegado a segundo plano quando tudo acaba. O que é evitado quando o local é mais social.


Ruim ser associado a um garoto de programa. Implica que se tem que pagar por sexo. Que se é um frequentador de locais não familiares. Namorar, então, é fatal. É um espelho brutal.


Um espelho onde se percebe os comentários, os olhares de lado e incriminadores, onde se escuta, apesar de baixinhos, os comentários de "Olha só...", "Tá apelando".


Louis não fez programa, garante. Fez filmes pornográficos, que ele mesmo considera prostituição igual. Transou por grana.


Dá no mesmo. Vi um documentário que tratava do mundo pornô e sua consequências. Atores idolatrados como deuses do sexo. Comestíveis ao máximo. Descartáveis idem.


Não se quer namorá-los. Não se quer desposá-los. Se quer desfrutá-los e esquecê-los. Pensamentos da maioria. Muitos nem divulgar que estiveram com eles.


Meio bonecos infláveis, meio pessoas que nos disseram como o pior da humanidade.


Saiu do dark room. Já os outros ficam lá. E, se brincar, até querem ficar. Sem costas largas, quem os proteja e abençoe, quanto menos conhecimento melhor.


Quando eles vão em boates, bares, mesmo LGBTs, o escanteio é o lugar. Não se quer contato com eles, não se quer deixar à vista que os conhece. O moralismo é forte mesmo no refúgio. Espelhado no mundo hétero dominante do lado fora.


Louis ultrapassou. Virou namorado de estilista famoso. Notoriedade. Sai com artistas internacionais, ganha matérias em revistas que se dizem sem erotismo. 


Aparece em reportagens fora do eixo submundo. Engolido graças ao nome do padrinho-amante.


Sem ele, talvez amargasse o esquecimento após a juventude ir e dizerem sem piedade: "Paramos com você". Iria para o arquivo dos que renderam o que tinham e agora não mais. 


Dos que ficariam sozinhos sem querer solidão, mas que a solidão foi o que lhe deram por ser Harry Louis dos DVDs ou um Douglas, um Diego dos classificados, do vapor. Dos que ficariam com um passado oculto, com família e filhos, porque o que viveu lhe impuseram como o mais terrível para um homem viver.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

SEXO NO FOCINHO E NA FOCINHEIRA



Gays gostam de anexar. Desconheço algum que nunca tenha pronunciado: "Fulano é". Por que ele é? Porque tem um jeitinho assim, tem uma pisada assado, usa roupa desse tipo, vive cercado de veados, deve ter namorada só para despistar. 

Cabe aí carência de minoria. Querer arrebanhar mais e mais e provar não serem tão vulneráveis e desconexos assim. "O mundo é gay." Cabe também necessidade de vingança. Jogar todos os que se acham superiores no saco que mais desprezam. "Aquilo é uma bicha enrustida." Cabe ainda desrespeito consigo mesmo. O saco é visto com falta de apreço igual. Nele se prende para diminuir. "É uma bichinha." 

E cabe treinamento. Aprenderam com os héteros a farejar homossexualidade. Como é o estado de ser mais degenerado já dito e cantado, é para ser patrulhado. Qualquer sinal, desconfie, fique de olho.  "Teve uma vez..." Mais um, denuncie, propague. "Tem muito jeitinho..." A matilha precisa saber. 

O humano é assim meio cachorro. De um lado sexual com latido alto. Passa a bunda alheia, mesmo quando no disfarce, quando juramos o contrário, os olhos latem. Somos ainda mais cães quando metemos o focinho no sexo do outro. O que ele quer, quem ele é, o que esconde, com quem se deita. Soma de raciocínio, criatividade, indiscrição, suspeita. E sentença. 

Se o sapato do colega de trabalho é mais decorado que o normal, ele é gay, com certeza. Se a saia da vizinha é muito curta, puta, sem dúvida. Se a filha da amiga saiu mais perfumada, meu Deus, vai dar.

O sexo nos entra formatado. Se o cara é hétero tem que transar com mulher e somente só. Se é gay, com outro gay. Se disser que transa com homem e é hétero, um mentiroso. Mesmo se ator pornô, se garoto de programa. Homem não sobe o pau com outro homem. Nem se for uma travesti, com corpo e alma femininos.

Alexandre Sena é um dos atores do pornô gay brasileiro. E um nome que toca fogo nas conversas. 99% das cenas como passivo. É casado, com filhos e sempre responde ser hétero. O famoso, e atacado, gay for pay. Alexandre é chamado de tudo, menos de macho.

Inadmissível um macho de verdade fazer o que ele faz com tanta desenvoltura. Inadmissível que ele o faça e diga não sentir atração por homens. E ainda diz que o faz, não é ruim, mas nada a ver com a orientação dele. 

Alexandre não se encaixa nos pré-moldados. Tem-se de empurrá-lo à força em algum engradado pronto e ele que ouse sair. Alexandre então é homo enrustido. Até pode ser. Existem. Ou bissexual não assumido. Também dá. Existem. Impensável é aceitar como ele se define. Tal metragem não existe no estoque.

Pensar em algo feito sob medida para o rapaz? Fora de cogitação. Ele que se adapte ou será adaptado de acordo. Onde já se viu? 

Como pouco se viu. Como é bem mais difícil alguém como Alexandre se expor, ele virou um animal mítico, que precisa ser desmascarado e posto numa focinheira e pare de se definir como se percebe.

Orientações sexuais estão por aí. Não são mentiras. Nem algemas. Somente para quem as enxerga dessa forma. Experiências e curiosidades também permeiam bem mais que se pensa. Apetites secretos então.