Pesquisar este blog

domingo, 18 de agosto de 2013

DANIELA MERCURY E A PROMOÇÃO DE EXEMPLO


Quando Daniela Mercury fala sobre seu casamento com Malu Verçosa tem quem a acuse de se promover às custas da homossexualidade, a chamam de oportunista. Balela. Homossexualidade é tabu dos grandes, sofre preconceito dos maiores, vítima de um ódio sempre alerta. Assumir-se é decisão das mais complicadas. Requer não só coragem, mas capacidade de luta diária.

Luta contra os olhares enviesados, os comentários por trás, as gracinhas do senso comum, a ideia pré-fixada do homossexual como um maníaco sexual, incontrolável, pronto a dar o bote, de quem é preciso se defender, estar atento quando próximo.

Assumir-se é bater de frente contra uma estrutura montada onde se é o fora da lei, o desencaixado, o estranho. Julgado todo o tempo, sentenciado como o errado, o que precisa se ajeitar. O que é incriminado e, de tanto ouvir, aceita, dá como verdade, se recrimina.

O que é ojerizado na rua e dentro de casa. O que se esconde para sobreviver. O que mesmo saído do tal armário, mesmo com relativa aceitação dos em volta, convive com um torpedo aqui e ali, lembrando quem são os "certos", os "normais", e quem são os "desvirtuados", os "consentidos por bondade" (para mostrar que se é moderno), mas que devem se manter controlados, não violentar tanto o que é "realmente correto".

O que percebe ainda que gay aprovado é gay que não choca, que tem limites, que se contenta com um amor no demonstrado, se possível sufocado, menor.

O que sente o ódio, filho do medo, dos outros por ele. Medo imaginário de que as coisas deixem radicalmente de ser como são. Que o mundo se torne gay por completo. Daí ele é o que precisa ser combatido, mantido no escuro, invisível, sem ameaçar.  

O que vê em modelos como Daniela um alívio, uma luz diferente e fora do holofote que sinaliza a heterossexualidade como o padrão único. Séculos e séculos onde o par perfeito é João e Maria. Só a eles é dado o final feliz. Só a eles o direito de beijar e andar de mãos dadas na rua. Só a eles os votos de tudo de bom pela união.

Daniela é um estímulo ao garoto que agora teme contar seus desejos, que se apavora que pai e mãe descubra os lugares que frequenta, os corpos que abraça. É uma força para a menina que já tem um amor e a esconde, disfarça carícias, suprime afetos, enquanto vê a irmã aos beijos com o namorado.

Daniela mostra que é possível, que um dia este garoto e esta garota, que agora, lá no quarto somente sonham com uma vida plena, podem ser capazes, que o mundo tem muito a avançar, mas deu passos adiante, que tem complicações, que tem enormes vantagens, o dela hoje pode ser deles em breve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário