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quinta-feira, 18 de julho de 2013

SEXO NO FOCINHO E NA FOCINHEIRA



Gays gostam de anexar. Desconheço algum que nunca tenha pronunciado: "Fulano é". Por que ele é? Porque tem um jeitinho assim, tem uma pisada assado, usa roupa desse tipo, vive cercado de veados, deve ter namorada só para despistar. 

Cabe aí carência de minoria. Querer arrebanhar mais e mais e provar não serem tão vulneráveis e desconexos assim. "O mundo é gay." Cabe também necessidade de vingança. Jogar todos os que se acham superiores no saco que mais desprezam. "Aquilo é uma bicha enrustida." Cabe ainda desrespeito consigo mesmo. O saco é visto com falta de apreço igual. Nele se prende para diminuir. "É uma bichinha." 

E cabe treinamento. Aprenderam com os héteros a farejar homossexualidade. Como é o estado de ser mais degenerado já dito e cantado, é para ser patrulhado. Qualquer sinal, desconfie, fique de olho.  "Teve uma vez..." Mais um, denuncie, propague. "Tem muito jeitinho..." A matilha precisa saber. 

O humano é assim meio cachorro. De um lado sexual com latido alto. Passa a bunda alheia, mesmo quando no disfarce, quando juramos o contrário, os olhos latem. Somos ainda mais cães quando metemos o focinho no sexo do outro. O que ele quer, quem ele é, o que esconde, com quem se deita. Soma de raciocínio, criatividade, indiscrição, suspeita. E sentença. 

Se o sapato do colega de trabalho é mais decorado que o normal, ele é gay, com certeza. Se a saia da vizinha é muito curta, puta, sem dúvida. Se a filha da amiga saiu mais perfumada, meu Deus, vai dar.

O sexo nos entra formatado. Se o cara é hétero tem que transar com mulher e somente só. Se é gay, com outro gay. Se disser que transa com homem e é hétero, um mentiroso. Mesmo se ator pornô, se garoto de programa. Homem não sobe o pau com outro homem. Nem se for uma travesti, com corpo e alma femininos.

Alexandre Sena é um dos atores do pornô gay brasileiro. E um nome que toca fogo nas conversas. 99% das cenas como passivo. É casado, com filhos e sempre responde ser hétero. O famoso, e atacado, gay for pay. Alexandre é chamado de tudo, menos de macho.

Inadmissível um macho de verdade fazer o que ele faz com tanta desenvoltura. Inadmissível que ele o faça e diga não sentir atração por homens. E ainda diz que o faz, não é ruim, mas nada a ver com a orientação dele. 

Alexandre não se encaixa nos pré-moldados. Tem-se de empurrá-lo à força em algum engradado pronto e ele que ouse sair. Alexandre então é homo enrustido. Até pode ser. Existem. Ou bissexual não assumido. Também dá. Existem. Impensável é aceitar como ele se define. Tal metragem não existe no estoque.

Pensar em algo feito sob medida para o rapaz? Fora de cogitação. Ele que se adapte ou será adaptado de acordo. Onde já se viu? 

Como pouco se viu. Como é bem mais difícil alguém como Alexandre se expor, ele virou um animal mítico, que precisa ser desmascarado e posto numa focinheira e pare de se definir como se percebe.

Orientações sexuais estão por aí. Não são mentiras. Nem algemas. Somente para quem as enxerga dessa forma. Experiências e curiosidades também permeiam bem mais que se pensa. Apetites secretos então.



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