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É. O mundo gay, que tanto reclama de discriminação, de estereótipos, também marca a ferro e fogo.
Lembro que em 2010, fiz um um caderno especial sobre garotos de programa. Prostituição masculina, que, bem mais que a feminina, é obscura, carregada. Agrega venda de corpo e homossexualidade.
É o rapaz que sai de casa, escondido, para ficar na calçada, em uma sauna, em um cinema barato. É o que talvez nem seja gay, que depois um tempo nem saiba mais que orientação tem, nem se importe. O que insista ser hétero e ninguém acredite ou acredite por tesão, fetiche. Mas é o que está lá por o mundo, pelo bem ou pelo mal, o ter posto lá.
É o que desperta impulso sexual nos clientes, que travam o olhar e enviam sangue para o genital quando ele passa. Jovem, taludo e no ponto. O que se tranca em um cabine cheirando a desinfetante de eucalipto, com só um colchão e metros quadrados que mal cabem duas pessoas.
O que vai para um banheiro nada apropriado, ou tão fantasticamente excitante, de um cine pornô. O que marca encontro em motel sem nem saber a cara do outro lado do telefone.
O que ganha mal demais. Ou bem demais. O que nem liga, dá de ombros. O que acha tudo uma merda. O que resolve, satisfaz. O que ouve satisfação em sussurros e gemidos. O que recebe, embolsa e segue para o próximo.
Mas o que é relegado a segundo plano quando tudo acaba. O que é evitado quando o local é mais social.
Ruim ser associado a um garoto de programa. Implica que se tem que pagar por sexo. Que se é um frequentador de locais não familiares. Namorar, então, é fatal. É um espelho brutal.
Um espelho onde se percebe os comentários, os olhares de lado e incriminadores, onde se escuta, apesar de baixinhos, os comentários de "Olha só...", "Tá apelando".
Louis não fez programa, garante. Fez filmes pornográficos, que ele mesmo considera prostituição igual. Transou por grana.
Dá no mesmo. Vi um documentário que tratava do mundo pornô e sua consequências. Atores idolatrados como deuses do sexo. Comestíveis ao máximo. Descartáveis idem.
Não se quer namorá-los. Não se quer desposá-los. Se quer desfrutá-los e esquecê-los. Pensamentos da maioria. Muitos nem divulgar que estiveram com eles.
Meio bonecos infláveis, meio pessoas que nos disseram como o pior da humanidade.
Saiu do dark room. Já os outros ficam lá. E, se brincar, até querem ficar. Sem costas largas, quem os proteja e abençoe, quanto menos conhecimento melhor.
Quando eles vão em boates, bares, mesmo LGBTs, o escanteio é o lugar. Não se quer contato com eles, não se quer deixar à vista que os conhece. O moralismo é forte mesmo no refúgio. Espelhado no mundo hétero dominante do lado fora.
Louis ultrapassou. Virou namorado de estilista famoso. Notoriedade. Sai com artistas internacionais, ganha matérias em revistas que se dizem sem erotismo.
Aparece em reportagens fora do eixo submundo. Engolido graças ao nome do padrinho-amante.
Sem ele, talvez amargasse o esquecimento após a juventude ir e dizerem sem piedade: "Paramos com você". Iria para o arquivo dos que renderam o que tinham e agora não mais.
Dos que ficariam sozinhos sem querer solidão, mas que a solidão foi o que lhe deram por ser Harry Louis dos DVDs ou um Douglas, um Diego dos classificados, do vapor. Dos que ficariam com um passado oculto, com família e filhos, porque o que viveu lhe impuseram como o mais terrível para um homem viver.

Sendo o sexo ainda esse mito perpetuado, isso ainda acontecerá,sendo o moralismo,patriarcado e homofobia sendo tão vigente, o que podemos fazer é irmos contra eternamente ou enquanto dure.
ResponderExcluirP.S: Tenho uma paixão platônica por um ator pornô <3
James Deen *_*