Parece um dogma religioso. Se é homossexual, transexual ou travesti, é tarado. Talvez religioso mesmo. Vem da condenação da santa madre igreja a ideia de que são demônios, incubus e sucubus, que pensam só em sexo, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Estejam onde estiverem e com quem estiverem.
Pensa-se que eles querem desvirtuar os héteros. Que se é hétero é irresistível. Coberto de açúcar. Que dá um calor, um tesão absoluto, incontrolável. A crença: se é hétero é bom.
Daí, escutamos tantas histórias de medo e precaução. “Não levo meu filho ao shopping Boa Vista. Vão devorá-lo por completo”, “Tás cortando o cabelo em fulano? Cuidado para ele não deixar o pente escorregar e pegar lá”, “O que vão pensar de mim?”. Tudo menos se ligar a essa raça desonrosa que traiu o ideal de macho e fêmea. Dar satisfação de que não faz parte do clube é fundamental.
Gays seriam como vampiros, pensam. Ferozes e incontroláveis. Mantenha o alho e o crucifixo em mãos, recomendam. Caso contrário...
Se for a uma boate LGBT será currado. Tem que ficar com a bunda grudada na parede. Se dormir com uma lésbica no quarto ao lado, claro, ela irá forçar a porta. Melhor se hospedar em outro andar. Se tiver um amigo gay, um dia, ele irá embebedá-lo e cantá-lo. Afastar-se é a solução. Se a colega de trabalho é lésbica, com certeza, ela vai falar supermal do seu marido para convencê-la a trocá-lo por ela. Evite maior aproximação.
Caberia aos héteros mais modéstia. Já vi dos mais sem graça querendo ser o máximo. Dos mais desprovidos de atrativos com aquela pose de gostosão das tapiocas. Calma. Menos.
Menos preconceito em repetir sensações de insegurança, de mostrar tanto medo desses seres considerados desregulados e insaciáveis. Menos se achar.
Talvez falte espelho, falte Simancol. Talvez carentes de paqueras, de cantadas tradicionais, precisem dizer certas frases, se sentirem ainda com tudo em cima.
Alguma olhada indiscreta que levou no passado distante, que acabou marcando, conduz e amplifica o temor por toda a vida. E ainda os conselhos de cuidado reforçado martelados por papai e titia. Deixam hematomas nos julgamentos. Sequelam.
Acha-se que querem dominar o mundo, avançar em qualquer um e transformar a raça humana, por completo, em homos, com uma bomba H de purpurina, quem sabe. Que vão cooptar o filho, o sobrinho, o marido, a esposa, a colega, você.
Até mesmo nas atitudes de alguns gays, o bater insistente da crendice influencia. Há os que fazem, os que desrespeitam, os que até morrem por entrarem em barcas furadas. Criou-se a aura de que conquistar um hétero é nota mais que azul no boletim. Orgulho de vida. “Que não existe careta. Existe mal trabalhado.”
Balelas, balelas, balelas. De todos os lados.
Gays até olham para héteros como héteros olham para o sexo oposto. Acham bonito, interessante. Investir, invadir, são outros 500. Se o fazem, merecem um fora, uma quiexa na polícia, tal qual uma cantada barata, um rapaz que puxa o cabelo de uma garota para um beijo forçado.





